Fique por dentro do Chá-Verde

Assim como existem pessoas que adoram chá (grupo no qual me incluo), há também os que não gostam. Mas é fato que, o chá é a bebida mais consumida no mundo, pois faz parte dos hábitos diários de vários povos. Mas a beleza das plantações de chás, agrada até mesmo aqueles que não apreciam a bebida. Esse post é sobre a beleza destas plantações que mostrarei através das fotos que entremeiam o texto e também sobre algumas particularidades sobre a história do chá e sobre as incríveis propriedades medicinais do chá verde.

Há uma lenda chinesa que diz que no ano de 2737 a.C. o imperador Shen Nung, teria descoberto o chá acidentalmente. O imperador que por razões de higiene só bebia água fervida, descansava perto de uma árvore de chá quando algumas folhas caíram no recipiente onde ele havia posto a água para ferver. Ao invés de tirar as folhas, ele as observou, viu que elas produziam uma infusão, decidiu prová-la e achou a bebida saborosa e revitalizante. Assim, conta a lenda, que foi descoberto o chá. Não há registros ou provas históricas de que tenha sido efetivamente desta forma ou de que foi o imperador Shen Nung, o “descobridor” do chá, mas é fato que os chineses já produziam e bebiam o chá desde a antiguidade.

Na Asia, as plantações de chá chamam a atenção  ao desenharem as paisagens com  formas que parecem deslizar pelas encostas das montanhas criando cenários ondulantes e inigualáveis através da cobertura verde e delicada das milhares de Camellias sinenses, a planta originária dos principais chás.

 

 

 

 

Japão, Índia, Coréia, Malásia, Srilanka e Vietnam possuem em muitas das suas paisagens verdadeiros Jardins de chá de surpreendentes belezas. São destas regiões as fotos selecionadas para esse post, com destaque para as da província Shizuoka , Japão, cuja paisagem é um cartão postal do local com as plantações de chá aos pés do Monte Fuji.

A Camellia sinensis é o “Chá”

Quando se fala em chá verde não significa que a cor do chá é necessariamente verde, mas sim que esse tipo de chá não é fermentado, diferentemente dos chás pretos que são bem fermentados e dos chás oolong, que são semi-fermentados porém, todos originados da mesma planta: a Camellia sinensis.

O chá verde é proveniente da planta perene, do tipo arbustiva, a Camellia Sinensis pertencente a família das Teáceaes (Theaceae). Originária, do sudeste Asiático, a planta produz economicamente por mais de 50 anos. No Brasil, o arbusto é cultivado principalmente na região do Vale da Ribeira, no Estado de São Paulo.

A Camellia sinensis, passou a ser bastante estuda pelos cientistas devido a sua composição. Rica em compostos como catequinas, bioflavanóides e taninos que conferem ao chá uma boa atividade como antioxidante, a Camellia sinensis ajuda ainda, no combate dos radicais livres, auxiliando na prevenção de várias doenças, entre elas o câncer.

Todos os tipos de chás verdes tem como característica principal o processamento rápido das suas folhas para evitar o processo de fermentação natural. E, no caso dos chás verdes japoneses, o que lhes dá o sabor característico é o fato de que as folhas são passadas no vapor, o que evita a oxidação, preserva a cor natural da folha e confere um sabor suave de fundo amargo. Em seguida as folhas são enroladas, desidratadas e posteriormente picadas ou moídas, transformando-se nos chá que compramos nas lojas.

O chá verde é assim chamado, porque as folhas da Camellia sinensis sofrem pouca oxidação durante o processamento. Muito popular na China e no Japão, há pouco tempo começou a ser consumido com maior freqüência no Ocidente, sendo muito valorizado em decorrência das suas diversas propriedades.

A preparação do chá verde difere um pouco dos chás tradicionais. A água não deve estar fervendo, pois do contrário, as folhas acabam sendo cozidas proporcionando assim, um gosto amargo à bebida. Mas seu preparo é simples:

  • Faça uma infusão com uma colher de sopa rasa da erva para cada xícara de água quase fervente (antes de entrar em ebulição).
  • Depois de colocar a água quente, o tempo de infusão não deve ultrapassar três minutos.

Propriedades do Chá Verde:

  • Aumenta no cérebro os níveis de dopamina, uma substância responsável pelo controle do metabolismo. Em maior quantidade ela acelera a queima de calorias.
  • Diminui cerca de 40% a absorção da gordura dos alimentos consumidos. Isso acontece porque o chá verde é rico em polifenóis. Eles interferem no processo em que as moléculas de gordura são quebradas, na digestão.
  • Outras substâncias presentes no chá, como as catequinas, contribuem para o equilibrio  dos níveis de insulina e cortisol. Esses hormônios estão envolvidos com a estocagem de gordura na barriga.
  • Pesquisas mostram que o chá verde melhora a ação da peptina, conhecida como hormônio anti-fome.
  • Ele ainda desintoxica o organismo, facilita a digestão, previne contra o envelhecimento precoce, reduz o colesterol ruim e melhora a memória.
  • Bom, né?

Agora, a pergunta que não quer calar:

Se o chá é uma bebida que vem da planta Camellia Sinensis, como  ficam os outros chás, como o chá de Camomila e o chá de erva-doce?

Na Europa ocidental, não havia o chá propriamente dito, por isso importava-se e até hoje, importa-se o produto. Mas havia outras ervas e frutas locais das quais se podiam produzir infusões, como a erva-doce, a hortelã, a camomila, a maçã, a pêra, as frutas vermelhas, etc. que obviamente tem sabores e propriedades diferentes da Camellia sinensis. Mas, como o processo de se obter a bebida é o mesmo, tudo quanto é fusão em água quente passou a ser popularmente chamado de chá.

Questão de nomenclatura?

A questão não é meramente linguística. O chá da Camellia Sinensis possui cafeína, um estimulante da função cardiovascular e da circulação sangüínea, mas diferente da cafeína do café, que é rapidamente absorvida pelo corpo, a cafeína do chá é absorvida de forma mais lenta. A cafeína em si não é prejudicial à saúde, pois é bastante recomendada desde que não tomada em excesso. E é curioso observar a tamanha complexidade da composição química da Camellia Sinensis, que é impressionante constatar a variedade de sabores e aromas que só um tipo de planta pode gerar. As infusões herbais em geral não têm cafeína, não possuem um leque de sabor e aroma tão variado quanto o chá.

Existe uma dica linguística que  permite diferenciar um chá de uma infusão herbal. Nas infusões herbais a palavra chá é sempre seguida “de” alguma coisa. Por isso nas embalagens lê-se: “chá de camomila”, “chá de boldo”, chá de erva-doce”, etc. O mate é um caso a parte, embora muitos achem que o mate é chá, ele é uma erva diferente, e o correto é não usar nas embalagens a palavra “chá” mate, e sim, só mate. Já os chá derivados da Camellia Sinensis, são descritos por tipos ou apelidados de acordo com a sua origem, e nas embalagens, não se usa a expressão “de”. Assim, o chá pode ser descrito pelo tipo como, “chá verde”, “chá oolong” ou “chá preto”.

Sobre Chás, se você quiser se aprofundar mais no assunto, uma dica é o livro: “O guia do chá” – de Jane Pettigrew, especilista em chás e infusões, onde ela ensina que “chá” é tudo que contém Camellia sinensis, o resto é infusão de ervas, frutas ou flores.

Abraços,
Sejamos Felizes!

Fontes: istoejapao.com; culturajaponesa.com; cha-verde.com; imagens: web.

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