Simbologia da Flor de Lótus

 

Flores e plantas são usadas como adornos e estampas no mundo inteiro e o simbolismo relacionado a elas é quase inesgotável. Boa parte da simbologia vegetal tem suas raízes na antiga idéia de “correspondência” entre o mundo natural e a humanidade. As flores simbolizam a primavera e o começo do verão, época em que a maioria delas desabrocha; também representam a brevidade da existência: o ser humano cresce desabrocha e depois murcha e cai como uma flor. A flor simboliza, de acordo com Chevalier (2000), a imagem das virtudes da alma, é o símbolo do amor e da harmonia que caracterizam a natureza primordial do ser, o nascer e a perfeição e, de certo modo, o simbolismo do estado edênico (relativo ao paraíso). Nesse sentido, dentro da simbologia das flores, uma das que mais se destaca é a Flor de Lótus, ou Lírio D’Água que germina na lama do fundo de lagos e riachos e vem à superfície para florescer sob a luz do sol: o que, em muitas tradições, simboliza o processo de criação e de ascensão espiritual.

Citada ao longo da história de várias civilizações da antiguidade, a Flor de Lótus destaca-se de forma especial, tendo na civilização Egípcia (por volta de 2800 A.C) inúmeros registros relacionados a sua representação desde o uso de flores isoladas ou em formas de arranjos, até ilustrações em alto relevo, detalhes arquitetônicos e pinturas.

Representação da flor de Lótus – Detalhe em Baixo relevo

 

Representações de Flores de Lótus em pintura sobre papiro

 

Representações de Flores de Lótus em ornamento de coluna

Os Egípcios divinizavam a Natureza atribuindo aos deuses que idealizavam, qualidades observadas na dinâmica dos seus ciclos. Registros históricos mostram que os arranjos de flores foram componentes importantes na cultura Egípcia que comumente utilizava flores de corte em vasos, arranjos, guirlandas, coroas, colares, bem como, em decorações de cerimoniais, procissões ou simplesmente domésticas. Estes registros mostram que imagens da Flor de Lótus destacam-se esculpidas em relevo, em pedras  e também em diversas cenas pintadas em paredes. Para os Egípcios, o primeiro dos deuses emergiu do caos inicial e da escuridão sobre uma Flor de Lótus. Das flores que mais se destacam na cultura egípcia, está a Lótus do Egito também conhecida como Lótus Branca que simbolizava o Alto Egito e o Papirus que representava o Baixo Egito. Lótus e Papirus são as plantas que mais se destacam nesta civilização descritas e representadas com frequência nas mais diversas modalidades artísticas ao longo de 2000 anos.

As Flores de Lótus  também conhecidas como Lótus Egípcio, Lótus Sagrado e Lótus da Índia, simbolizam expansão e elevação espiritual. A Lótus é uma planta aquática que desempenha um papel central nas religiões indianas como o hinduísmo, budismo e jainismo. Está profundamente enraizada na cultura Asiática como símbolo da virtude, disciplina e pureza. Figura em diversas ilustrações de personagens como a Deusa Hindu Laksmi, Lord Vishnu, Lord Ganesh, Krishna, Buda, entre outros,  cujas imagens, representadas em diversas manifestações artísticas, em sua maioria, aparecem flutuando sobre flores de lótus que, metaforicamente, representam os tronos da suprema espiritualidade.

Fonte: Krishna Bloom – by vishnu 108 – Deviantart
Fonte: Vishnu Supersoul – by vishnu 108 – Deviantart
Fonte: Maa Mahalakshmi, Devi Laxmi – Goddess of Wealth

Ainda na tradição hindu, a flor de Lótus com muitas pétalas representa o Chacra principal, ou o centro energético do corpo, e é um símbolo recorrente na religião e na arte budistas. Buda muitas vezes figura segurando a flor, usada por ele como metáfora do ciclo da vida, ou seja, o caminho percorrido entre a ignorância (profundezas lamacentas) e a iluminação da mente. Buda e outros seres iluminados aparecem com freqüência sentados sobre um Trono de Lótus ou rodeados por uma nuvem de pétalas.
O mantra sagrado mais popular do budismo tibetano, om mani padme hum”, invoca os valiosos ensinamentos de mundo como uma jóia (mani) cravada no lótus (padme). A expressão “jóia preciosa do Lótus” é formada por palavras consideradas sagradas que são gravadas nas bandeiras, nos sinos que alertam para as cerimônias, em artigos como anéis e pulseiras,  e nos enormes moinhos de orações que são girados nos templos pelos toques das mãos dos fiéis. Muito tem se escrito sobre este mantra, e o que impressiona é como seis silabas possam atrair tantos significados importantes:

  • OM – a primeira silaba, recitá-la o abençoa para atingir a perfeição na prática da generosidade.
  • MA – Ajuda a aperfeiçoar a prática da ética pura.
  • NI – Ajuda a atingir a perfeição na prática da tolerância e paciência.
  • PAD – Ajuda a conquistar a perfeição na prática da perseverança.
  • ME – Ajuda a conquistar a perfeição na prática da concentração.
  • HUM – Ajuda na conquista da perfeição na prática da sabedoria.

Om mani padme hum

O perfume do Lótus impregna o Tibete, Tailândia, Índia, Butão, Indonésia, e China sendo raro encontrar um País da Ásia onde o Lótus não seja considerado sagrado. Mas, a fama da Flor de Lótus transcende o âmbito espiritual, e seu fascínio atinge também os estudiosos da botânica. Pesquisadores de diversas Universidades no mundo estudam uma característica da flor, que assim como os seres humanos, ela é capaz de manter sua temperatura em torno de 35 graus. Esse sistema de auto regulação de calor, compreensível em seres complexos, como ocorre com os mamíferos, continua inexplicável para a ciência.

Ainda outros cientistas, estudam outra curiosidade da Lótus: suas folhas são auto limpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microorganismos e poeira, o que gera estudos sobre as possibilidades de seu uso tanto na indústria medicinal como em produtos destinados à limpeza. Entretanto, além da sua singular beleza, sua versatilidade polivalente, especialmente na esfera medicinal, das curiosidades que suscita e das lendas que inspirou, sem dúvida alguma, sua representatividade destaca-se no plano metafísico.

A simbologia da Flor de Lótus, cuja origem surgiu no Oriente, e ao longo do tempo tem seu simbolismo passado de geração em geração atravessando continentes e se mesclando em diversas culturas, sempre remeteu o ser humano a reflexões sobre a efemeridade da beleza e aos valores  transcendentes do espírito.

 

Imagens: web

Abraços floridos…
Sejamos Felizes!

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