Baobá árvore lendária em fábulas e histórias reais

 

No planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela se espreguiça e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho.

 

“Enfants! Faites attention aux Baobabs!” – Meninos! Cuidado com os Baobás!

Ouvi falar no Baobá pela primeira vez na minha vida, através de um principezinho, personagem de um dos livros mais encantadores e cheio de ensinamentos, que guardo desde a infância como um tesouro inesquecível, porque é sobretudo uma história cheia de humanidade que fala ao coração. Nesta história os Baobás têm um especial destaque, pois eram a maior preocupação do menino que, por serem muito grandes, poderiam destruir o asteroide onde morava. Realmente os Baobás são gigantescos e como esse post é para falar deles, então vamos lá…

Os Baobás apresentam seis espécies naturais originárias da África e da Austrália. São árvores típicas de ambientes semi-áridos e possuem a capacidade de armazenar grandes quantidades de água em seu caule. O Baobá vive de três a seis mil anos. É conhecido como “Árvore da Vida em toda África, onde é considerado árvore sagrada. Em virtude da longevidade, o Baobá representa também a preservação sendo objeto de culto.

Conhecido cientificamente como Adansonia digitada, o Baobá, quando adulto pode atingir 20 metros de diâmetro no seu tronco. Como árvores seculares são testemunhas vivas da passagem do tempo, o Baobá é considerada uma das espécies de árvore mais antigas da Terra.

A idade de uma árvore é dimensionada através de modernos métodos de avaliação que, tal como o carbono-14 (radiativo), revelam que uma árvore com 5 metros de diâmetro (a média é de 10 metros) tem 1010 anos de vida. As flores do Baobá têm 20 cm de diâmetro e parecem estar dispostas de ponta cabeça, ou seja, viradas para baixo, em forma de sino.

Elas duram apenas 24 horas e são muito apreciadas por morcegos, percorrendo longas distâncias à noite para sugar o doce néctar das flores que, com seu forte odor, atrai moscas varejeiras e outros agentes polinizadores. O odor não é nada agradável e por isso suplanta qualquer sentimento romântico em relação ao Baobá.

Esta árvore é também um hotel para lagartas, muitas espécies de pássaros e insetos, tais como o louva-a-deus gigante capaz de devorar uma lagartixa viva. As Mariposas quando pousam em seu tronco permanecem com as asas fechadas e, dessa forma, parecem espinhos cobrindo galhos e tronco. Já a base do tronco junto ao chão abriga o bicho-pau e, na maior parte do ano a árvore permanece desfolhada.

Avenida dos Baobás

A avenida ou alameda dos Baobás é um proeminente grupo de árvores alinhadas em uma estrada de terra entre Morondava e Belon’i Tsiribihina, na região Menabe, na parte ocidental de Madagascar. Sua paisagem impressionante atrai viajantes de todo o mundo, tornando-se um dos locais mais visitados da região. Ao longo da avenida podemos ver enfileiradas várias árvores de aproximadamente 30 metros de altura, da espécie Adansonia grandidieri, edêmica de Madagascar, são Baobás com cerca de 800 anos, conhecidos localmente como “Renala” (do malgaxe, “mãe da floresta”).

 

Uma característica do Baobá, é o tronco oco, no qual a planta acumula água, podendo atingir até 120000lts. Isso é de extrema importância para os africanos nos períodos de estiagem, e também para os viajantes que abrem um buraco no caule, bebem a água, e depois o tampam com a própria casca da árvore. Quando a água seca, o interior da planta fica oco e passa a servir como casa para os bichos e até para pessoas, conforme relatos contidos na literatura africana.

Baobá-Bar

Essa característica chamou a atenção da família Van Heerden, proprietária de um terreno a 20 Km da famosa floresta Modadji, que em um Baobá de aproximadamente 6000 anos, com 20 metros de altura e 47 metros de diâmetro, criou no tronco oco da árvore um “pub” que se transformou numa das atrações mais visitadas da região. O “Sunland Baobab Pub” teve sua origem em 1993, ocupando o interior da icônica planta com balcão, mesas, bancos de madeira e equipado com sistema de som. O espaço pode acomodar com conforto 15 pessoas, mas costuma receber em torno de 60 por noite.

Em um outro buraco do tronco do pub, foi instalada uma adega que mantém constante a temperatura de 22 graus para o armazenamento de vinhos, o que vem a ser uma solução sustentável não? E do lado de fora, a copa do gigantesco Baobá protege com sombra fresca a área externa onde mesas são dispostas para servirem refeições.

Aqueles que conhecem o livro “O Pequeno Príncipe”, ao ouvirem falar no Baobá, não conseguem dissociá-lo da obra de Exupery. E, para nós brasileiros, não deixa de ser muito peculiar o fato que Saint-Exupery conheceu pessoalmente os Baobás do Nordeste brasileiro antes da inspiração que o levou a criar o seu livro mais famoso.

O Baobá tem um destaque especial na obra de Saint-Exupery, “O pequeno Principe”, e o poeta Diógenes da Cunha Lima, que comprou um terreno em Natal (RN) para salvar um gigantesco Baobá, garante que antes de ser famoso, Exupery, na década de 30, pousou seu avião lá, e foi na “cidade do sol” (RN), que ele viu, pela primeira vez na vida, um Baobá.

Apesar de não ocorrer naturalmente no Brasil, algumas mudas aqui chegaram pelas mãos de sacerdotes africanos, sendo plantadas em locais específicos com a finalidade de culto religioso. No Candomblé é considerada um árvore sagrada e nunca deve ser cortada ou arrancada. Para muitos, esta árvore, na fase adulta, é a mais bonita dentre todas as espécies vegetais da Natureza, e onde existir um exemplar, sempre haverá visitantes para admirá-la.

O Baobá foi imortalizado pelo desenho do escritor Antoine Saint-Exupery em sua obra “Le Petit Prince”, conhecido como “O Pequeno Príncipe” (Brasil). O livro de Antoine de Saint-Exupery publicado de 1943, que a princípio aparenta ser um livro para crianças, mas encanta a todos por ter um grande teor poético e filosófico, transformou-se no segundo livro mais vendido do mundo (o primeiro é a Bíblia), talvez por trazer de forma encantadora inúmeras frases que se tornaram célebres. É com uma delas que finalizo este post:

Voici mon secret. Il est trés simple: on ne voit bien qu’avec le couer.
L’ essentiel est invisible pour les yeux.

Eis meu segredo. Ele é muito simples: somente vemos bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos.

Beijo no Coração,
Sejamos Felizes!

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Baobá – Árvore símbolo fundamental das culturas africanas tradicionais

 

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